Laranja da Terra


Aspectos Naturais
O Município de Laranja da Terra localiza-se na mesorregião central do Estado do Espírito Santo, a 160 km de Vitória; 105 km de Colatina; 550 km do Rio de Janeiro e 560 km de Belo Horizonte. Limita-se ao norte com os municípios de Baixo Guandu e Itaguaçu, ao sul, com o município de Afonso Cláudio, ao leste, com os municípios de Itarana e Itaguaçu e a oeste, com o Estado de Minas Gerais. Sua área é de 457 km2, o que equivale a 1,01% do território capixaba.
A sede do município de Laranja da Terra está a 190 metros de altitude e tem sua posição geográfica determinada pelos paralelos de 19o 53’’ 58' de latitude sul e 41o 03" 16' de longitude a oeste de Greenwich (Fonte: IPES).
O relevo do Município é apresentado como montanhoso, com fortes ondulações. 
O clima é do tipo tropical quente, com temperatura média anual em torno de 22,35o C, apresentando índices pluviométricos situados na faixa de 800 a 1.200 mm/ano, com maior ocorrência de chuvas nos meses de outubro a março.
O Município perdeu uma parte significativa de sua vegetação primitiva, dando lugar a pastagens e áreas para a agricultura. Hoje encontramos pequenos trechos da mata atlântica situada nas encostas onduladas e de maior altitude do Município.

A bacia que compõe a paisagem hidrográfica do município é a do Rio Doce-suruaca, destacando-se, como principal Rio o Guandu. Como parte desse complexo hidrográfico destacam-se no município o Rio Taquaral e os Córregos Laranja da Terra, Ribeirão do Bom Jesus, Crisciúma e Laranjinha.


 Aspectos Históricos
Antigamente, antes de 1870, ainda sob a jurisdição do Porto do Cachoeiro de Santa Leopoldina, ao fazerem a medição de terras e chegando perto de um córrego, depararam-se com um pé de laranja de uma variedade muito rústica. Convencionou-se que se tratava de um pé de laranja da terra. A partir daí o córrego recebeu este nome, mais tarde o distrito e, por último, também o nosso município recebeu este nome.
Antes de 1870, não se tem registros de nomes de não indígenas que tenham morado ou passado por aqui. Os índios que habitavam a região por essa época era os botocudos que se caracterizavam pelo uso de batuques ou rodelas grandes de madeira introduzidas em furos feitos artificialmente nos lóbulos das orelhas, nas narinas e, sobretudo, no beiço inferior. Por volta de 1880, a última tribo ainda presente e localizada na região da Barra do Taquaral não somava mais do que 30 famílias, tribo esta comandada por um cacique não índio, vulgo Capitão Canjica, de cerca de 60 anos de idade, que os índios teriam raptado quando menino nas imediações de Vitória.  Esses índios com certeza tiveram contato anterior com não índios, pois se denominavam com nomes como Andrade, André, Luiz, Rafael, João e Joaquinzinho. Depois da morte de Canjica tornou-se cacique um índio de nome Furizinho. E, sob o seu comando, essa tribo migrou para o lado do Bananal (Baixo Guandu) de onde, depois de um assassinato de um não índio, se refugiou nas matas ainda virgens do outro lado do Rio Doce. Esse depoimento foi dado por Dona Elvira Rosa de Novais, sobrinha de Francisco Carlos de Almeida Rosa que em 1879 mudou de Carangola, Minas Gerais, para o Espírito Santo, e fixou residência na Barra do Taquaral, onde também Elvira e sua família se fixaram cinco anos depois.
O fato de se achar ainda hoje na região do município de Laranja da Terra pedaços de panelas de cerâmica, machadinhos e pontas de flechas de pedra, nos faz crer que antes dos botocudos eram tribos dos índios goytacazes tupiniquins que transitavam nesta região.
A partir de 1856, com a criação da Colônia de Santa Leopoldina, e 1875, com a criação da Colônia de Santa Teresa, começou-se a abrir o caminho para que fazendeiros, principalmente mineiros, e outros aventureiros entrassem para desbravar as matas ainda quase virgens das regiões do Rio Guandu e do Rio Santa Joana. E é, então, na região do Médio Guandu, que hoje compreende o município de Laranja da Terra, que entre os anos de 1870 a 1880 instalam-se algumas das fazendas. A saber:
a) a de Leopoldino Antonio dos Santos ou Leopoldino “O Bravo”, fluminense que lutou na Guerra do Paraguai e que recebeu do Governo do Estado, como recompensa por seus atos de bravura e dinamismo, uma grande quantidade de terras nas imediações da atual sede municipal;
b) a do mineiro, de Carangola/MG, Francisco Carlos de Almeida Rosa, que se instalou na Barra do Taquaral, hoje pertencente ao Distrito de Joatuba;
c) a de Domingos José Vieira, que se instalou na cabeceira do Ribeirão do Bom Jesus;
d) e a de um fazendeiro que se instalou numa fazenda nos arredores de São Luiz de Miranda, alongando-se até a Barra do Lagoa (Km 18).
Além dos fazendeiros, instalaram-se também na região do Médio Guandu, ainda em fins do século XIX, pessoas de diversas origens nas novas glebas de colonização atrás de terras do governo, entre elas muitas da raça negra em virtude da abolição da escravatura, inclusive vindas do nordeste brasileiro, como Ceará e Sergipe, que faziam pequenas derrubadas para plantios de lavouras de subsistência e de café. E o italiano Valentim Perozini que se instalou no lugar, hoje, São Luiz de Miranda, comprando uma fazenda nas imediações e que, mais tarde (1921), montou um comércio na beira do Rio Guandu, perto da ponte, onde hoje se localiza a sede do município de Laranja da Terra. Era casado com Rosa Dominicini e o casal teve oito filhos.
As primeiras famílias de descendência alemã e pomerana vieram para a região do Médio Guandu a partir de 1901 na Barra do Crisciúma provenientes do então Município de Cachoeiro de Santa Leopoldina, das regiões de Rio Farinha, Caramuru, Jequitibá, Santa Maria de Jetibá, etc.  Foram as famílias pioneiras de Emil Holz, Ulrich Liebmann, Alberto Schroeder, Fritz Zeckel e Gustav Liebmann, entre outras.
No mesmo período algumas famílias, também descendentes de alemães e pomeranos, pertencentes à Igreja Adventista do Sétimo Dia, se fixaram nas imediações da atual sede do município de Laranja da Terra, provavelmente no Córrego do Laranjinha.
Portanto, os primeiros núcleos de colonização pomerana e alemã instalaram-se nas regiões de Barra do Crisciúma, Córrego do Crisciúma, Aventureiro e Alto Crisciúma, a partir de 1901. Mais tarde também nas regiões de Jequitibá Pequeno e Volta Grande. Todos no Distrito de Bom Jesus, hoje Sobreiro. Na mesma época também se instalaram os núcleos de colonização alemã e pomerana nas regiões do Córrego do Taquaral e do Picadão, hoje pertencente ao distrito de Joatuba.
E a partir de 1910 instalou-se o núcleo de colonização pomerana e alemã no atual distrito de Vila de Laranja da Terra, com a vinda dos irmãos Seibel, que vieram de Alto Santa Joana (hoje município de Itarana) e se fixaram no vale do Córrego de Laranja da Terra.
Em junho de 1915, a comunidade luterana inaugura a sua 1ª capela, de construção simples, sem torre e nem sino. Consta que, nesta época, era proibido, por lei, que igrejas protestantes construíssem templos com torres.
Nesta época também se instalaram núcleos de colonização pomerana no Córrego da Laranjinha, no Córrego do Machadinho e, beirando o Rio Guandu, no Mato Campo. E, bem mais tarde (depois de 1920) os descendentes pomeranos também se instalaram nas regiões de São Luiz de Miranda, do Córrego da Perdida, do Córrego da Timbuva, e da Barra da Lagoa (Km 18).
Em 1929, era, então, inaugurada a nova igreja, de construção mais sofisticada, com altar, pia batismal, torre e sino. É mais ou menos desta época a construção da Igreja Católica. Existiam, até então, duas casas de comercio e cinco residências. Uma única rua margeava o rio, sendo parte da estrada para Sobreiro. Em 1935, foi feita uma demarcação, situando a rua principal onde hoje está localizada.
Por esta época foram instalados o cartório e outros serviços, como a coletoria. Não existiam, ainda, escolas e postos de saúde. As professoras lecionavam em casas cedidas pela comunidade. Alguns anos mais tarde era construída uma escola com três salas separadas.
A grande maioria dos descendentes pomeranos e alemães vieram da região que hoje engloba os municípios de Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá.
Um pequeno grupo de descendentes de italianos, vindos provavelmente da região da Colônia de Santa Teresa, instalou-se no início do século na região do Córrego do Taquaral. Destacam-se entre as famílias pioneiras as de Anselmo Armani, Paschoal Rizzi e Guido Adami.


Distrito de Laranja da Terra (Sede):

Leopoldino, o “Bravo”, fez uma doação de seis alqueires de terra para o padroeiro São João Batista, escritura passada por Pedro Mercandelli para a comunidade local da Igreja Católica Apostólica Romana em 1934. São João Batista era o seu santo de devoção, mais tarde passou a ser padroeiro da referida comunidade e comemorado até hoje pela comunidade em 24 de junho, no Dia de São João Batista, feriado municipal.

Distrito de Laranja da Terra foi criado pela lei estadual nº 1012 de 30 de outubro de 1912, como distrito do município de Afonso Cláudio.

Em 1910 começaram a se instalar os primeiro imigrantes alemães e pomeranos nas imediações da localidade hoje chamada de Vila de Laranja da Terra. O primeiro culto luterano (IECLB) aconteceu lá no dia 10 de outubro de 1910, quando foram batizadas duas crianças pelo pastor Wrede de Santa Maria de Jetibá. Esta data é considerada a data da fundação da comunidade luterana e, simultaneamente, a data de fundação de sua 1a escola. Dentro de dois anos já havia mais de quarenta famílias de pomeranos na referida localidade, todas pertencentes á referida confissão luterana, sendo que já em 1915 foi inaugurada a primeira capela desta confissão religiosa da região que englobava o distrito de Laranja da Terra.

Em 1921, Valentim Perozini começou um pequeno comércio, em uma casa na cabeça da atual ponte sobre o Rio Guandu na Sede, onde também passou a se celebrar a Missa da comunidade local da Igreja Católica Apostólica Romana, pelo Padre Jorge Stembel, substituído depois pelo Padre Pedro Cotoni.

Leopoldino, o “Bravo”, casado com Laudelina Maria da Conceição, sem filhos, veio a falecer em 20 de outubro de 1920, aos 70 anos de idade, quando tudo que lhe pertencia foi transferido para o Sr. Pedro Mercandelli, que continuou a trabalhar a terra até por volta de 1938 quando foi assassinado.

Em 1929 foi construída a primeira igreja, onde hoje é o salão social da comunidade local da Igreja Católica Apostólica Romana. Naquela época a comunidade da referida igreja era dirigia pelos Sres. José Lopes Rogério, Manuel Ribeiro de Freitas, Atílio Paine, Antônio Dias dos Cales, Carlos Palácio, Permínio Rogério, Cosme de Almeida e José de Almeida. Neste mesmo ano a comunidade luterana (IECLB) das localidade hoje chamada Vila Laranja da Terra inaugurou a sua primeira igreja.

Em São João, onde hoje se localiza a sede do município, existiam, até então, duas casas de comércio, as de Carlos Tesch/JulioStabenow e Luiz Abreu Xavier, e cinco residências, na única rua que margeava o Rio Guandu.

A primeira escola em São João funcionou em uma casinha em frente à casa de Pedro Mercandelli, nas antigas terras de Leopoldino, o “Bravo”. E a primeira professora foi Judite Machado, vinda de Vitória e, em alguns trabalhos também conhecida por Judite dos Santos.

Em 1930 foi construída a 1ª Escola Estadual da localidade (Antigo Primário), com o nome de “Grupo Escolar Rural de São João de Laranja da Terra”, e que, 1940, recebeu o nome de “Grupo Escolar Professor Luiz Jouffroy. Depois, em 1945, “Grupo Escolar Luiz Jouffroy”, em 1978, “Escola de 1o Grau Luiz Jouffroy”. Em 1979 foi, então, transformada em “Escola de 1º e 2º Graus Luiz Jouffroy” e, a parir de 2002, denominada de “Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Luiz Jouffroy”.

O primeiro sobrado na localidade foi construído em 1929 pelo Sr. Julio Stabenow que, logo após o término da construção, se associou a Carlos Tesch para montar um comércio. O sobrado existe hoje ainda (Bar de Darci Dettmann) e, na época, ficava em frente da casa onde Valentim Perozini abrira o primeiro comércio, na única rua da localidade, que beirava o Rio Guandu. Nesse prédio de Júlio Stabenow, numa puxada, funcionou a 1a Escola da Igreja Adventista do 7º Dia da localidade, e neste mesmo lugar também eram celebrados os cultos da referida igreja.

Por volta de 1930, o Sr. Pedro Mercandelli tinha um telefone que ligava para a fazenda Matutina e para a localidade de Itarana (Figueira, na época), que deve ter funcionado até a sua morte.

Naquela época, a Vila de São João de Laranja da Terra era um local muito perigoso, pois o Sr. Ivo Adami, filho de Guido Adami de Mututina e cunhado de Pedro Mercandelli, conhecido por Ivo Guido, era um verdadeiro coronel. É ele quem costumava fazer as leis do lugar e marcava quem deveria morrer. Sempre rodeado por outros coronéis e matadores, como Zé Scárdua, Zé mineiro, e outros. Além de muitos outros, acabou matando, por volta de 1938, o seu próprio cunhado Pedro Mercandelli. Não muito tempo depois, por volta de 1940, num enfrentamento com um delegado de polícia, acabou também assassinado. Com a sua morte, a localidade passou a ter tranqüilidade novamente.

Em 1935 foi feita uma demarcação, situando a Rua Principal onde hoje está localizada.

O cartório de Registro Civil foi transferido em 1935 de São Luiz de Miranda para o povoado de São João, que, então, passou a ser a sede do distrito de Laranja da Terra, cartório este conduzido, na época, pelo oficial de Registro Civil, Sr. Jorge Salestriano dos Santos.

A primeira farmácia foi instalada em São João por Carlos Aurich e sua esposa Maria Aurich. Mais tarde esta farmácia foi passada para o comerciante, Sr. Luiz Abreu Xavier, que foi morador estimado e aqui criou toda a sua família. Em sua homenagem foi criado, mais tarde, a hoje já extinta “ASLAX” (Ação Social Luiz Abreu Xavier) que, por alguns anos, tem prestado muitos serviços para a comunidade local.

Durante a 2ª Guerra Mundial, a escola da localidade hoje denominada Vila de Laranja da Terra foi fechada e foi proibido falar a língua alemã nos cultos e a língua pomerana nas ruas. Inscrições em língua alemã eram cobertas com tinta ou tinham que trazer sua tradução ao lado. Estrangeiros e descendentes de estrangeiros nascidos no Brasil eram perseguidos. Os pastores das comunidades de confissão luterana da região, todos alemães naquela época, foram detidos em Afonso Cláudio e, depois, por medida de proteção, transferidos para o presídio em Maruípe/Vitória/ES. Mais tarde a escola foi reaberta e encampada pelo Estado.

A Igreja Adventista do 7º Dia da Sede foi construída quando o Pastor João Katainkel veio do Rio Grande do Sul e inaugurada no ano de 1946 e, em 1947, inauguraram também a escola que fica ao lado da referida igreja, e as primeiras famílias adventistas foram as de Carlos Stabenow, Francisco Kloss, Orozinho Passos, David Schitig e Wesphal.

Em 1968 foi criada a Escola “União Laranjense”, da CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade), por vários políticos e pessoas da localidade. Foi uma escola muito importante para a região de Laranja da Terra. Era o antigo ginásio – 1º Grau (5ª a 8ª série). Na época, o prefeito municipal de Afonso Cláudio era o Dr. João Eutrópio.

Os cultos luteranos, que já aconteciam no distrito de Laranja da Terra desde 1910, no local da atual Vila de Laranja da Terra, somente foram celebrados em São João a partir de 1972, no salão social da Igreja Católica Apostólica Romana, e no dia 28 de agosto de 1972 foi instalada a sua primeira diretoria: Eurides Jarske, Vilma G. Jacob Tesch, Segefrid Seibel e Waldemar Jarske. O Pastor era Joachim Maruhn. Depois foram celebrados cultos no salão pertencente ao Sr. Wilherme Tesch. Somente e 03 de janeiro de 1976 aconteceu a primeira reunião no recinto da própria Igreja da Comunidade Evangélica de confissão Luterana de São João de Laranja, inaugurada neste mesmo ano.

Em junho de 1982 a Escola da CNEC (5ª a 8ª Série) passou a funcionar como “Centro de Educação Rural União Laranjense” da Associação Educacional “União Laranjense”, em prédio construído pela referida associação, com ajuda de recursos através da Federação Luterana Mundial, tendo como presidente o P. Lirio Drescher. O prefeito municipal de Afonso Cláudio na época era o Dr. Leni Alves de Lima. Mais tarde, a partir de 1990, a escola de 1o Grau de 5ª a 8ª Série do referido centro de educação, encampado pelo Estado, passou a funcionar na Escola de 1º e 2º Graus Luiz Jouffroy.


Distrito de Joatuba:

E segundo informações de moradores antigos, na virada do século XIX e XX fixaram-se em Joatuba as famílias Souza, Kutz, Galdino e Ribeiro, e depois muitas outras de descendência pomerana e italiana. Dados nos mostram que a grande parte do território de Joatuba pertencia à D. Querubina Maria de Souza e esta também fez a doação de um terreno para a Igreja Católica Apostólica Romana e para o cemitério local.

O distrito de Taquaral, como distrito de Afonso Cláudio, foi criado pela lei estadual nº 1381 de 04 de julho de 1923, desmembrando-se do distrito de Bom Jesus, hoje Sobreiro. Na época, o então morador Guilherme Pizzáia, de descendência italiana, doou o terreno para a povoação da Vila de São José (hoje sede do distrito de Joatuba).

A primeira professora pública foi Otíla Zanon. Antes, porém, já tinham aulas ministradas por particulares, mas de pouco acesso para a minoria das crianças, uma vez que o custo da escola particular era alto.

O primeiro oficial de Registro Civil foi José Salustiano de Santos. Inscreveu o primeiro casamento civil no distrito, realizado pelo então juiz Distrital João Machado de Souza.

O primeiro Sub Delegado foi o Sr. Hermógenes Lacerda Fafá.

Em 31 de dezembro de 1943, pelo decreto-lei estadual nº 15177 o distrito de Taquaral passou a denomina-se de Joatuba.

Do distrito de Joatuba fazem parte os povoados de Cinco Pontões e Santa Luzia. Neste último povoado residem várias famílias de descendência africana, tratando-se, provavelmente, de quilombolas.

Joatuba é privilegiado com o exuberante cartão postal do Município: A Pedra de Cinco Pontões que, segundo a lenda, guarda em suas entranhas a imagem de uma santa e um cacho de bananas de ouro, ali escondidos pelos Jesuítas.


Distrito de Sobreiro:

Em 1880 chegaram os primeiros habitantes não índios na região do Ribeirão do Bom Jesus, no intuito de se instalar e requerer terras do governo, principalmente, por se tratar de glebas novas de colonização da Colônia de Cachoeiro de Santa Leopoldina.

Um dos pioneiros foi o Sr. Domingos José Vieira que, ao chegar, foi subindo o Córrego Ribeirão do Bom Jesus até a sua cabeceira à procura de maior quantidade de água, onde se instalou.

Já no ano de 1900 foi instalado o Cartório de Registro Civil, tendo como o seu primeiro escrivão o Sr. Jovino Furtado de Mello. Naquela época, conforme livros de registro daquele cartório, a Vila de Bom Jesus já era distrito de Afonso Cláudio, comarca de Guandu.

Os primeiros comerciantes da Vila de Bom Jesus foram Antônio Martins de Souza e José Filipe que chegaram respectivamente em 1890 e 1910.

Por volta de 1915, o Sr. João Moreira da Costa doou aproximadamente 6 (seis) alqueires de suas terras – exatamente, onde hoje é a sede do distrito - para a Igreja Católica Apostólica Romana de Bom Jesus que, por sua vez, foi liberando terrenos para a construção de moradias, mediante pagamento contínuo de uma taxa.

Pelo decreto-lei estadual nº 15177 de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Bom Jesus, do município de Afonso Cláudio, passou a denominar-se de Sobreiro.


São Luiz de Miranda:

A localidade de São Luiz de Miranda também surgiu por volta de 1880. Valentim Perozini foi um dos pioneiros. Adquiriu terras de um fazendeiro da região, o mesmo fazendeiro, conhecido como Barão, que doou 5 (cinco) alqueires de terra para que os ex-escravos da fazenda, quilombolas, tivessem um lugar para construir suas moradias.

O Cartório de Registro Civil foi instalado na localidade em 1904 e, depois, em 1935, transferido para a Vila de São João de Laranja da Terra.


Vila de Laranja da Terra:

Criado pela Lei 438/2006, publicada no dia 25 de outubro de 2006.
O Distrito faz divisas com o Município de Itarana, até a Serra do Matutina; com o Distrito de Joatuba, seguindo pela cabeceira do morro, onde se situa a nascente do Córrego do Picadão; com a Sede do Município, até a propriedade do Senhor Jonas Seibel; com o Município de Afonso Cláudio, até a Serra da Biquinha, passando pelo  Córrego Santo Antônio.


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Aspectos Político-Administrativos
Laranja da Terra é um dos municípios mais novos do Estado do Espírito Santo. Em 20 de março de 1988 aconteceu o plebiscito para a sua Emancipação Política, desmembrando-se o mesmo do Município de Afonso Cláudio.
A criação do município deu-se através da Lei no 4.068, de 06 de maio de 1988. A publicação aconteceu no Diário Oficial do Estado no dia 10 de maio de 1988. Por isso comemora-se hoje essa emancipação no dia 10 de maio, sendo feriado municipal.
A instalação do Município aconteceu em 1o de janeiro de 1989.
A atual divisão político-administrativa do Município é formada pelos distritos de Laranja da Terra (sede), Sobreiro, Joatuba, São Luiz de Miranda e Vila de Laranja da Terra.

Aspectos Humanos
Atualmente, a população total do Município é de 10.823 habitantes (Censo IBGE/2011). Conforme dados do Censo IBGE/2000 73,91% dos habitantes do Município encontram-se em área rural e apenas 26,09% nas sedes dos Distritos e do Município.
Em relação à proporção por sexo, 51,02% da população é constituída por homens, enquanto 48,98% por mulheres.
A densidade demográfica é de 23,64 hab./km2, enquanto que a do Brasil atinge 22 hab/km2.
Manifestações culturais
Município de extensão pequena (457 km2), Laranja da Terra, com uma população de apenas 10.802 habitantes (Censo/2007), preserva em sua vivência aspectos culturais como as festas religiosas, a culinária, o casamento e a língua pomeranos. 63% de sua população se declara pomerana, 30% afro-brasileira e 07% italiana, que expressam suas manifestações culturais, no que podemos classificar, em quatro grupos diferentes: religioso, folclórico, artístico e ecológico.

a) No grupo religioso podemos destacar:
A celebração do Dia da Reforma da Igreja Luterana – Acontece em 31 de outubro, em todos os anos, sendo inclusive feriado municipal. A celebração é ecumênica e é intermediada por uma caminhada que culmina com um “café da tarde” que tem como elementos principais: “mijlchabroud” (um tipo de pão de milho), “suitakafa” (café doce), “melkkafa” (café com leite), “boter” (manteiga), “uutgelektakäis” (“puina”/coalhada) e doces. As comunidades luteranas ainda celebram no decorrer do ano as suas tradicionais festas de colheita.

A festa de São João Batista - Dia 24 de junho também é feriado municipal em homenagem ao padroeiro da Comunidade Católica Apostólica Romana da sede municipal. É comemorado durante 2 a 3 dias, com celebração de missa, procissão e festividades tradicionais afins, como danças de quadrilha e comidas típicas das festas juninas. Os outros distritos e comunidades têm suas festividades em torno dos padroeiros das comunidades da igreja católica-apostólica romana locais, tais como: Bom Jesus, São José, Santa Luzia, Luiz Gonzaga e outros.
b) No grupo artístico destacam-se os trabalhos com pintura, desenho, bordado, cerâmica, cestarias, balaios, peneiras, palha, marcenaria, música e “brolha”. Há uma forte presença de músicos: compositores, tocadores de concertina, acordeão, guitarra, violão, vocalistas e “trombonistas”.
c) No grupo folclórico vale a pena ressaltar a riqueza do “casamento pomerano”, com rituais do “pulderåwend” (noite do quebra-louça), “kransafdans” (dança da noiva), com comidas típicas, enfeites, bandeira; e tudo isso animado ao som da concertina. Há, recentemente formados, dois grupo de danças folclóricas. O primeiro denominado de “Grupo folclórico SIRIEMA”, composto por jovens do município, e o segundo, denominado “Grupo Folclórico Andorinhas Mensageiras”, composto por crianças e adolescentes da localidade de Jequitibá Pequeno, distrito de Sobreiro.  - Outra importante atividade são os grupos da 3a idade, onde as pessoas se reúnem em suas comunidades e ali dançam, brincam, jogam, cantam músicas e encenam teatros na língua pomerana e na língua portuguesa. Esses grupos são uma importante oportunidade de lazer. - Também de suma importância é o Festival de Concertina que retrata a importância da música para o povo, especialmente para o povo pomerano, que reúne pessoas de todo o município e de outras localidades. Esse evento acontece em todos os anos.
d) No grupo ecológico, ressalte-se a importância do trabalho com artesanato de pessoas que utilizam o papelão, a embira da banana, sementes e cipós, para a produção de lindas peças, tais como: enfeites, caixas, quadros, porta-retratos e outros. – E também tem o trabalho com plantas medicinais, e o cultivo e a produção de hortaliças e frutas sem o uso de adubos químicos e sem o uso de agrotóxicos. – Aqui também cabe mencionar a ação da Secretaria Municipal de Educação, de ter no currículo das escolas da rede municipal de ensino aulas de “práticas agro-ecológicas” no intuito de colaborar com a preservação do meio ambiente e com a melhoria de qualidade de vida dos munícipes.

Ações culturais desenvolvidas no município
Várias são as atividades culturais desenvolvidas no Município, destacando-se às das comunidades religiosas, como: festas de colheita, “Dia da Reforma”, festas de padroeiros, casamentos com rituais da cultura pomerana, grupos de trombonistas, grupos de terceira idade, trabalhando danças e teatros, grupos de canto coral (também em língua pomerana), etc. Outras manifestações culturais presentes no Município: grupo de artesanato “Brolha”, trabalho artesanal com cerâmica, material reciclado (papelão, plásticos, isopor, latas, etc.), palhas, cipós, etc., e tocadores de concertina e cavaquinho.


O texto desta página foi extraído do 
Plano Municipal de Educação de Laranja da Terra (2007-2017) 
aprovado pela Lei 484/2007.

com créditos a sua elaboração -  "Pr. Lírio Drescher"


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Uma Gruta como Esconderijo
Diante da associação de idéias entre Hitler e os Pastores Luteranos, muitos deles aqui no Brasil para preservarem a própria vida se viram obrigados a construírem esconderijos para onde levavam comida e colchão e onde poderia sobreviver por até uma semana. Em Laranja da Terra a prova destas construções se encontra na Vila, numa gruta edificada pelo Pastor Luterano Gottlier Grotke, que chegou ele próprio a usar, depois de ter sido preso e torturado. Em tijolos da época e atualmente restaurada e aberta à visitação a gruta usada como esconderijo pelo Pastor durante a Segunda Guerra Mundial, é um marco não apenas daquela época, como também da forte influencia da cultura alemã em nosso município.